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Santa Filomena: A irresponsabilidade da Prefeitura e Governo do Estado diante do livre comércio de meteoritos

Coluna - Charles Araújo

Santa Filomena: A irresponsabilidade da Prefeitura e Governo do Estado diante do livre comércio de meteoritosAs pesquisadoras da UFRJ que estão caçando os meteoritos no sertão de Pernambuco, as “meteoríticas”: Maria Elizabeth Zucolotto, Amanda Tosi, Diana Andrade e Sara Nunes. — Foto: Reprodução/redes sociais
Espalhe por ai:

A polêmica do livre comércio de meteoritos no Sertão de Pernambuco já é vista pela imprensa nacional. Pesquisadores e ‘caçadores’ internacionais disputam meteoritos em Santa Filomena. Enquanto isso, a Prefeitura local e o Governo do Estado ignoram a retirada das principais provas do mais importante acontecimento na história do Município. No dia 19/08 ocorreu uma ‘Explosão no céu e uma chuva de meteoritos caiu na cidade. O lugar já é visto como terra sem leis, diante da disputa e comercialização dos meteoritos.

Os jornalistas Laís Modelli e Rodrigo Ortega do G1 fizeram um artigo chamando atenção dos governos (município e estado), sobre a importância do fenômeno e seus vestígios, respectivamente. A redação do blog e portal Charles Araújo faz uma cobrança direta ao prefeito de Santa Filomena, Cleomatson Vasconcelos e ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara (ambos do PSB). Antes reportamos os fatos.

O livre comércio

Está ocorrendo o livre comércio de até R$ 100 mil por pedra em uma pousada da cidade. Virou uma disputa entre pesquisadores do Museu Nacional e caçadores, que se apresentam como colecionadores internacionais. Tudo isso aos olhos da Prefeitura e Governo do Estado, como se nada fora do normal estivesse acontecendo.

Os primeiros cientistas a chegarem a Santa Filomena, a 719 km do Recife, foram quatro pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lideradas pela curadora do Setor de Meteoritos do Museu Nacional da UFRJ, Maria Elizabeth Zucolotto.

Atualmente a pequena cidade do sertão vê brotarem pesquisadores e “caçadores de meteoritos” do Brasil e de outros países.

E até o momento a Prefeitura e o Governo do Estado não se incumbiram de realizarem qualquer ação entorno do ocorrido no município. Seja no sentido de controlar a entrada e saída de caçadores, ou de impedir a retirada dos meteoritos da Cidade ou Estado.

Junto com os moradores, eles vasculham terrenos e mata em busca das pedras. A única pousada da cidade, virou “centro comercial de meteoritos”, onde pedras maiores podem valer mais de R$ 100 mil.

Valor científico

O pesquisador do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Gonçalves Silva explica: “Este meteorito é do tipo condrito. É um dos primeiros minerais que se formou no Sistema Solar, antes da Terra. É como se fosse um ‘resto de construção’ do sistema. Ele pode contar para a gente um pouco da pré-história desta formação” .

E importante o estudo dessas pedras, que permite entender melhor quando e como as próximas podem aparecer.

“Além disso, estudá-los permite saber informação sobre a dinâmica dos meteoros: quando eles caem na Terra, as possibilidades de novos impactos, a dinâmica de queda, o que influencia na queda”, acrescenta Silva.

Uma oportunidade para a cidade

Além de um valor inestimável para a ciência, esse tipo de pedra, segundo o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Antônio Carlos Miranda, tem alto valor de mercado.

“Meteorito é uma coisa rara, é uma joia, um diamante da ciência. Vale dinheiro”, explica Miranda.

Nada mais justo do que o governo de Pernambuco e a prefeitura de Santa Filomena dizer que qualquer pedra que caiu é da cidade. Fazer uma guarda do material e fazer um projeto para capacitar os professores da região”, afirma Miranda.

Irresponsabilidade do Poder Público

A Convenção de Propriedade Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), assinada por mais de cem países, inclusive o Brasil, estabelece que um “bem de interesse científico” só pode ser levado de um país com autorização do governo local. 

Tendo em vista que está claro a irresponsabilidade da ausência do Poder Público do Município e Estado, para tomarem as providências quanto ao dever de preservar a história de Santa Filomena, fica aqui o nosso apelo à Agência Nacional de Mineração – ANM.

Em contato com a ANM, após a publicação desta matéria, tivemos a seguinte resposta: “A ANM não tem gestão alguma sobre meteoro. Meteoro é um bem cultural e não um bem mineral que esteja sob gestão da ANM”.

Portanto, cabe a Prefeitura de Santa Filomena e ao Governo de Pernambuco, cumprirem o dever de intervir na comercialização dos meteoritos e na preservação da história do fenômeno.

Por Charles Araújo, com informações do G1

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