Estudo aponta que 33,1 milhões de brasileiros não têm o que comer; 58,7% estão em estado de insegurança alimentar

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Estudo aponta que 33,1 milhões de brasileiros não têm o que comer; 58,7% estão em estado de insegurança alimentar
© Arnaldo Carvalho - Flickr
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A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) divulgou, nesta quarta-feira (8), o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil.

Batizado de “Insegurança Alimentar e Covid no Brasil”, os Dados apresentados no estudo apontam que em 2022 14 milhões de novos brasileiros entraram em situação de fome. Segundo a pesquisa, mais da metade dos brasileiros (58,7%) convivem com a insegurança alimentar em alguma classificação. Com esses números, o País regrediu a um patamar semelhante ao da década de 1990.

🚨 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no Brasil de 2022 e mais da metade (58,7%) da população está em situação de insegurança alimentar – quando uma pessoa não tem acesso regular e permanente a alimentos. 🚨 pic.twitter.com/IS2mjLBHh8
— ANESP (@AnespGestores) June 8, 2022

“A pandemia surge neste contexto de aumento da pobreza e da miséria, e traz ainda mais desamparo e sofrimento. Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia só poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país”, aponta Ana Maria Segall, médica epidemiologista e pesquisadora da Rede PENSSAN.

Para se ter uma ideia dos critérios adotados pela pesquisa, o termo segurança alimentar é identificado quando a pessoa não consegue ingerir de forma regular e permanente alimentos. Além disso, foram divididos em três níveis:

Leve: Incerteza quanto ao acesso a alimentos em um futuro próximo e/ ou quando a qualidade da alimentação já está comprometida

Moderada: Quantidade insuficiente de alimentos

Grave: Privação no consumo dos alimentos e fome

Mais afetados

Outro dado alarmante registrado no estudo são nos lares onde a referência são pessoas que se autodeclaram petras ou pardas. Em apenas 35 % dos locais nos quais os responsáveis são de raça/ cor preta existe segurança alimentar, os outros 65% sofrem com restrição de alimentos. Em comparação com lares onde os responsáveis se autodeclaram brancos, a segurança alimentar está presente em 53,2%.

Nos recortes das análises da pesquisa, os lares comandados por mulheres também são vítimas da insegurança alimentar. Conforme descrito, 6 em cada 10 lares chefiados por mulheres sofrem de insegurança alimentar. Com isso, as crianças que, são dependentes, sofrem de forma geral e comprometem sua evolução com a falta de acesso a alimentos.

Executada pelo Instituto Vox Populi, a pesquisa contou com pesquisadores, professores, estudantes e profissionais. Além disso, a iniciativa teve como parceiros a Ação da Cidadania, a ActionAid, a Fundação Friedrich Ebert Brasil, o Ibirapitanga, a Oxfam Brasil e o Sesc São Paulo. Os dados foram coletados entre novembro de 2021 e abril de 2022 com entrevistas em 12.745 domicílios, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios, distribuídos nos 26 estados e no Distrito Federal.

Por Vinicius Moreira / Istoé

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