Desigualdade educacional: alunos pobres têm mais prejuízos com escolas fechadas

ARTIGO - GABRIEL SESTREM ...
Desigualdade educacional: alunos pobres têm mais prejuízos com escolas fechadas
Foto: Reprodução
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O ensino a distância e as circunstâncias da pandemia aumentaram ainda mais as desigualdades entre estudantes ricos e pobres. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores do Insper e que foi apresentado ao Conselho Nacional de Educação, em 26 de janeiro.

A pesquisa “Desigualdade educacional durante a pandemia”, publicada em dezembro de 2020 por Naercio Menezes Filho, Bruno Kawaoka Komatsu e Vitor Cavalcante, investigou a relação entre o fechamento das escolas e os diferentes impactos educacionais entre os estudantes brasileiros.

Dentre as principais conclusões, o estudo constatou que alunos de instituições privadas estão mais preparados para acessar materiais educativos durante o período de distanciamento social, já que as escolas particulares se adaptaram melhor ao ensino à distância em comparação com as gestões públicas, conseguindo oferecer atividades escolares para a maioria dos alunos dessas instituições. Além disso, o acesso à internet para esses estudantes é significativamente maior do que alunos mais pobres. De acordo com os pesquisadores, a desigualdade educacional entre alunos irá aumentar para todos os níveis de ensino (fundamental, médio e superior) em decorrência da crise de saúde.

A pesquisa também concluiu que a mobilidade social intergeracional (melhoria de condições socioeconômicas entre uma geração e outra) pode ser dificultada com o fechamento das escolas; que a desigualdade educacional entre as diferentes regiões do país devem aumentar, já que alguns estados tiveram limitações muito mais acentuadas na oferta do ensino remoto; e que as próprias deficiências dos sistemas de ensino públicos podem impulsionar a evasão escolar dos estudantes.

Dificuldades no acesso à internet e problemas na entrega de atividades escolares

Para identificar quais grupos de alunos estão mais expostos aos efeitos negativos da pandemia, os pesquisadores utilizaram dados socioeconômicos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) contínua, do IBGE, e da PNAD Covid-19 – pesquisa também do IBGE, lançada em 2020, que monitora mensalmente os potenciais impactos da crise de saúde na economia brasileira. Os principais fatores levados em conta para mensurar os desafios do ensino remoto foram o acesso à internet e o recebimento de atividades escolares por parte dos estudantes.

Para identificar se grupos de alunos com condições menos favoráveis para o ensino remoto coincidem com os grupos que possuem as menores notas em avaliações de desempenho acadêmico, o estudo utilizou as notas de 1,2 milhão estudantes do ensino fundamental na edição de 2017 da Prova Brasil (instrumento de avaliação educacional desenvolvida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira – Inep) em associação aos dados socioeconômicos levantados previamente.

Fonte: Gazeta do Povo

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