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Justiça condena ex-militares por morte de recrutas afogados em treinamento do Exército

Três recrutas morreram e um ficou ferido. Ex-tenente, ex-cabo e ex-soldado receberam, cada um, pena de 2 anos de prisão, mas recorrerão em liberdade

CHARLES ARAUJO | BLOG TV
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Justiça Militar da União condenou um ex-tenente, um ex-cabo e um ex-soldado pela morte de três recrutas e por ferir outro recruta durante treinamento em um lago do Exército em Barueri, Grande São Paulo, em 2017. Dois capitães da ativa, que também respondiam pelos homicídios e lesão corporal contra as vítimas, foram absolvidos dos crimes militares.

Segundo a acusação, três dos quatro militares não sabiam nadar e morreram afogados em um lago no quartel do Grupo Bandeirante, criado em 1915 e considerado um dos mais antigos do Exército. O outro militar só sobreviveu porque nadou, mas se feriu no teste.

O treinamento para a formação de soldados havia sido realizado em 24 de abril de 2017 no 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve (GACL), na Estrada de Jandira, Jardim Belval, em Barueri.

O exercício de longa duração de instrução individual básica era para recrutas de 2017 do 21º Depósito de Suprimento (D SUP), na Vila Anastácio, em São Paulo.

Vítimas e acusados

Naquela ocasião morreram afogados Wesley da Hora dos Santos e Victor da Costa Ferreira, ambos de 18 anos, e Jonathan Turella Cardoso Allah, de 19.

O julgamento dos cinco réus, sendo dois militares da ativa e três ex-militares, ocorreu na quinta-feira (30) no Foro da Justiça Militar, na região central da capital paulista.

O ex-tenente Rodrigo de Oliveira Salatiel, o ex-cabo Felipe de Oliveira Silva e o ex-soldado Jorge Henrique Custódio Avanci foram condenados por dois crimes previstos nos artigos 206 e 210 do Código Penal Militar (CPM): homicídio culposo e lesão corporal culposa (ambos não intencionais).

Cada um deles recebeu pena de aproximadamente 2 anos e 6 meses de prisão. Como todos os acusados respondiam soltos aos crimes, poderão recorrer da sentença em liberdade.

Acusação

Segundo a acusação feita pelo Ministério Público Militar (MPM)“os denunciados, agindo culposamente, descumprindo seus respectivos deveres objetivos de cuidado, causaram a morte, mediante asfixia mecânica por afogamento, das três vítimas fatais e também culposamente, a integridade corporal do quarto militar”.

No processo, constavam como réus um capitão do Exército, que era o oficial de prevenção de acidentes da instrução; outro capitão, oficial responsável pelo exercício militar; um então tenente, que cuidava da orientação do exercício; um cabo e um soldado, ambos auxiliares para instruir os recrutas.

O tenente, o cabo e soldado participaram diretamente da execução da pista de orientação, feita com bússolas e mapas, ocasião em que quatro soldados recrutas entraram em um lago, a maior parte deles sem saber nadar. Três se afogaram e o outro foi socorrido por militares que estavam num acampamento.

Julgamento

No mesmo dia 24 de abril de 2017, o Exército abriu Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias das mortes.

Na última quinta-feira os cinco acusados foram julgados por um Conselho Especial de Justiça, que é formado por quatro oficiais da mesma Força de origem dos acusados e mais um juiz federal da carreira da Justiça Militar da União.

Após a sentença, os réus e a acusação poderão recorrer, se quiserem, ao Superior Tribunal Militar (STM), em Brasília, que é a última instância para o julgamento de crimes militares cometidos por membros das Forças Armadas. Painel Político via G1

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Redação/Ascom

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