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Conto da rua – Luiz Mendes

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Carregava um saco presenteado pelos aterros sanitários nas costas. Andava de lá para ca e daqui para la revirando lixeiras e sacos de lixo deixados nas portas das casas e restaurantes. Estava procurando comida, depois sua dignidade, no capitalismo temos que ter prioridades. Como um camaleão se mescla ás cores cinza da cidade de São Paulo, as pessoas não o via. Não se lembra mais de onde vinha e muito menos pra onde irá. Estava sempre em movimento, feito um Exu. Olhou na vitrine da loja viu seu rosto refletido e como no mito da caverna, viu pessoas apressadas à suas costas mas como no mito, são fantasmas. O tempo está mudando na cidade, inclusive na politica. São tempos de racionalizar a comida dos pobres, racionalizar moradias e para aqueles que vivem nas ruas, como ele, são despertados de seus sonhos com jatos de água fria. Mas ele esta em movimento e sentou praça na porta de um restaurante Bom Prato onde a comida custa um real. Enquanto isso cinquenta e dois milhões foram descobertos morando sozinho num apartamento na Bahia. Vai ser difícil almoçar hoje pois dinheiro não caí do céu e as pessoas, como a cidade, tornaram-se cinzas. A noite chega e rapidamente as ruas tornaram-se escuras e com o saco nas costas caminha como se procurasse algo no chão. É preciso caminhar, estar sempre em movimento e como um Exu desaparece cantando um samba antigo ou um ponto pela escuridão. Amanhã talvez será um velho dia pois o novo está difícil nascer nesses tempos.

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1 Comentário

  1. luiz mello

    12 de dezembro de 2017 em 16:53

    ah triste realidade no brasil.

    Responder

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