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Religião e Mídia

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ARTIGO


A teologia busca exercer a função de referencial ético, moral, social e religioso para a sociedade. Por séculos os princípios e ensinamentos teológicos têm pautado os seres humanos a respeito de suas escolhas e referenciais de vida. Nos últimos tempos nos deparamos com o advento da tecnologia, a comunicação tem se propagado de forma abrangente, os fatos, a cultura, os princípios e valores cristãos têm sido divulgados pelo mundo afora, não se fala mais em distâncias geográficas e a questão atual é a forma como a notícia é difundida e os meios de acesso dos receptores. Chega-se a afirmar que se não foi divulgado pela mídia, o fato não existe.

A partir de uma fala de João Paulo II no ano 2002 foi dado início o uso da grande rede virtual mundial para a propagação da fé cristã a todos os habitantes do planeta: “Sem dúvida, a internet constitui um novo foro, entendido no antigo sentido romano do lugar público em que se decidia sobre a política e o comércio, onde se cumpriam os deveres, se desenrolava uma boa parte da vida social da cidade e se expunham os melhores e os piores aspectos da natureza humana. Tratava-se de um espaço urbano apinhado e movimentado, que refletia a cultura circunvizinha e criava uma cultura que lhe era própria.”

O reconhecimento do impacto e da força de comunicação cibernética está rompendo com a barreira que existia entre a Igreja e a modernidade, resultando em uma nova cultura digital e religiosa. As imagens, sons, cores, ritmos são aspectos diversificados a respeito do Cristo e de sua mensagem que ecoarão pelo mundo afora, tornando a grande rede virtual um espaço religioso e tecnológico, se transformando, assim, na mais nova conquista da religião.

Esse passo do mundo real e físico para o mundo virtual e cibernético exigiu da religião uma série de adaptações. A Igreja como instituição não será mais a detentora de todas as informações religiosas do mundo, não terá mais domínio sobre as pessoas a ponto de decidir sobre a vida delas, como tem sido em tempos passados. As mensagens cristãs serão reproduzidas aos milhares, surgirão de várias fontes e algumas delas não serão confiáveis. A pluralização de ideias e a proliferação de imagens serão usadas em nome da religião e até mesmo do Cristo.

A cultura digital não é normativa e preza pelo efêmero, e às vezes anula os valores morais que para a religião cristã são fundamentais. O pluralismo é um fator intrínseco à cultura digital, várias vozes e bocas se pronunciam num espaço imenso de comunicação virtual. A mensagem que ecoa na grande rede é superficial na sua essência e passa a ser divulgada por todos, rompe-se a barreira entre o clérigo e o leigo e, com essa configuração, todos terão espaço para se expressar.

A fé passa a ser popular, todos têm acesso às informações que anteriormente eram para um grupo especial de clérigos que emitiam opinião sobre tudo e todos, decidindo sobre a vida e futuro das pessoas. A religião se popularizou nos quatro cantos do planeta Terra.

Autor: Cícero Bezerra é coordenador do curso de Teologia Bíblica Interconfessional do Centro Universitário Internacional Uninter.

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